Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

É p'rácabar!

O cognome "Paulinho das feiras" é sobejamente conhecido, vem de longe e tem, como todos os bons cognomes, justificação plena. Desde que Paulo Portas voltou a um governo da nação que cada dia que passa reforça este epíteto. Passos Coelho só não merece o mesmo cognome porque quando vai a uma feira não é educado e amigo, manda as pessoas ir trabalhar com uma enchadazinha.

 

Este governo está reduzido a um conjunto de feirantes. Entre o que já foi passado a pataco e o que está para ser a lista é infindável. Hoje, o Conselho de Ministros aprovou a venda dos CTT. Essa coisa de enviar cartas e postais também já tem os dias contados, o que está a dar é sms's, e-mails e mensagens de Facebook...tirando as empresas que precisam dos Correios mais ninguém precisa...bem, e os Tribunais e outros serviços públicos...bem, se calhar os idosos que recebem as pensões pelos Correios também precisam deles...ah, e os emigrantes que gostam de enviar encomendas...espera lá, mas há aquelas pessoas que não tem net nem telefone ou telemóvel, umas porque não têm dinheiro, outras porque não querem...e também há aqueles que estão isolados e que por isso não podem mesmo ter net ou telemóvel...bem se calhar esta coisa dos Correios até dá algum jeito...Olhem, comecem a treinar os sinais de fumo, deixa menos pegada ecológica, proporciona exercício físico e até é esteticamente agradável.

 

Claro que a venda dos CTT não implica, imediatamente, o fecho da empresa ou a subida dos preços, mas nós que já andamos aqui a algum tempo percebemos que talvez se vão fechando mais algumas dependências, que talvez se suba um cêntimo aqui e outro ali, que talvez, um dia, a empresa que comprar os CTT a queira vender na totalidade, e aí pode ser que o governo se tenha esquecido de garantir que os CTT não podem ser extintos.

 

 

Bem sei que as privatizações estão no memorando da Troika, e é esse o problema, o arco da capitulação rendeu-se e aceitou que Portugal ia ser vendido ao desbarato e faseadamente até ao final do programa de asfixia financeira.

 

O papelinho que PSD, CDS e PS assinaram em plena consciência, está a ter duas consequências devastadoras para o futuro do país e dos seus habitantes: a primeira, à vista de todos e de todas, é o fim do Estado Social como o fomos construíndo e, consequentemente, a perda massiva de direitos e serviços originando um retrocesso dramático nas condições de vida; a segunda, a perda de uma enorme quantidade de empresas estatais - grande parte delas lucrativas -, é mais difícil de medir no presente e mais difícil de mostrar como calamitosa. Mas quando Portugal se voltar a reerguer economicamente vamos acordar num país totalmente privatizado. Portugal será um país em que os serviços públicos não pertencerão ao público, a nós, pertencerão a empresas privadas que disporão deles somente com uma perspectiva: lucro.

 

Como diz o cigano da feira: "O cigano 'tá maluco! Isto é p'rácabar, é p'rácabar! Três a 100!". É este o pregão que Portas e Passos Coelho utilizam nas reuniões do Eurogrupo, do Bilderberg e quejandos. E têm razão, isto assim é mesmo para acabar, mais tarde do que cedo, é que entretanto: mais de 68 mil pessoas perderam direito ao RSI e só 41% dos desempregados tem direito a subsídio de desemprego. Isto continua a doer, mais a uns que a outros...

 

Notas finais:

- durante a escrita do post - talvez pela influência do Dave Brubeck que sai das colunas - descobri um cognome digno para o nosso Passos Coelho, o "Pedrinho dos mercados". Este cognome cumpre várias funções, faz pendant com o do Portas, tem pinta infantilópopular, mostra que o PM é um homem de negócios, e é um trocadilho, ficando o receptor sem perceber qual dos mercados prefere o Pedrinho, o das couves ou o dos swaps.

- um grande beijinho para Álvaro Santos Pereira, o dos pastéis de nata, claramente falhou no foco do negócio deste governo, a pastelaria não tem lugar em feiras.

publicado por swashbuckler às 16:05
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