Sexta-feira, 28 de Junho de 2013

Das greves e das pontes

Das greves

 

Ao enorme aumento de impostos e a outras enormidades do governo, responderam os trabalhadores e o povo com uma enorme Greve Geral.

Este governo e estas políticas estão a ser artificialmente suportados por Cavaco Silva, que teima em não desligar as máquinas. Não admira, o botão do "off" está nas mãos de alguém que há muito tempo se encontra "off" da realidade e das necessidades do país...

 

 

 

 

Os números da Greve Geral não são, nunca serão, nem nunca poderão ser, os mais precisos e rigorosos, mas a quantidade de "cens por cento" não abre espaço a tentativas de esvaziamento da importância deste dia.

 

 

A combatividade demonstrada pelos piquetes de greve é um dos factores mais assinaláveis, em muitos casos, principalmente nos transportes, e como já vem sendo hábito, quem comanda a PSP decidiu escolher um lado, o lado dos patrões e do governo.

Foram vários os atropelos legais que se verificaram por parte das autoridades durante a madrugada e a manhã da greve, mas mesmo assim, há registo de várias vitórias nos piquetes. Muitos trabalhadores e trabalhadoras que tinham decidido ir trabalhar, mudaram de opinião escutando as razões dos seus colegas. Muitos que tinham decidido trabalhar, fá-lo-iam porque é cada vez mais difícil abdicar de um dia de salário e porque, em muitos casos, um dia de greve corresponde a um despedimento sumário a caminho.


Tem especial relevo a quantidade de precários que desta vez decidiu parar, uma decisão muito difícil e arriscada para quem tem vínculos laborais que não protegem estes trabalhadores.


Em várias localidades do país há relatos de patrões que contrataram, ilegalmente, outros trabalhadores para suprir a falta de quem fez greve. Esperemos que o Estado de Direito funcione e que se penalize devidamente quem actuou desta forma.

 

Das pontes


 

Durante a manhã, um grupo de precários, desempregados, activistas LGBT e estudantes, cortaram a estrada no Saldanha e entraram em algumas catedrais da precariedade como a PT. Por volta da hora do almoço um outro grupo entrou e fechou vários estabelecimenos comerciais da Baixa de Lisboa.


E no final da manifestação que terminou na Assembleia da República, 226 pessoas decidiram continuar em protesto pelas ruas de Lisboa. Diz-se que o seu objectivo passava por chegar à Ponte 25 de Abril. Acabaram encurraladas pela PSP, revistadas, identificadas e presentes hoje, todas ao mesmo tempo, ao Tribunal de Pequena Instância de Lisboa.

 

Enquanto escrevo chegam relatos do Campus da Justiça. As condições voltam a ser indignas, como seria de esperar quando se convocam 226 pessoas de uma vez.

 

Foram encurraladas e levadas para uma zona desprotegida num dia de sol intenso, sem acesso a água e comida, casa de banho, e sem deixar os advogados falarem com os manifestantes. Diz o comando da PSP que optaram por não levar as pessoas para as esquadras porque o processo seria muito mais longo do que foi. Neste caso, era da mais elementar humanidade que a PSP providenciasse condições mínimas de saúde e higiene para estas pessoas.

 

Ainda assim, talvez tenha sido melhor para os manifestantes que os 226 permanecessem juntos no mesmo espaço. Não esquecemos o que aconteceu na anterior Greve Geral: divididos por diferentes esquadras, os detidos sofreram coacção psicológica - agressões físicas em alguns casos - e também não tiveram condições mínimas de saúde e higiene nem acesso a advogados. A união faz, sempre, a força.

 

 

 

 

O crime de ocupação ilegal da via pública existe, o de desobediência às autoridades também, as manifestações de carácter ilegal também. Mas o que dizer de uma manifestação espontânea que, ao contrário do que se poderia esperar, teve acompanhamento e escolta policial desde o seu início? Desta forma a PSP permitiu o corte de trânsito, fazendo com que este deixasse de ser crime. Ou seja, a PSP transformou um acto que poderíamos apelidar de ilegal, num acto legal porque acompanhado e escoltado desde o seu início.

 

 

O comando da PSP, que responde directamente ao ministro Miguel Macedo, decidiu iludir os cidadãos que se manifestavam - teria sido fácil acabar com o protesto logo no início. O comando da PSP afirmou publicamente que os manifestantes nunca usaram de violência e que obedeceram sempre às ordens por eles dadas. O comando da PSP armou uma ratoeira que colocou hoje 226 pessoas a responder por um crime que a própria PSP transformou em não crime. O comando da PSP obrigou, uma vez mais, os seus homens, a defender o governo e o capital contra o seu povo, o Estado de Direito e a Democracia.

 

Das greves até às pontes

 

Uma Greve Geral enorme e com participação massiva em todo o país expulsa a Troika e faz cair este governo? Não, mas ajuda. O corte de estrada por 226 pessoas expulsa a Troika e faz cair este governo? Não, mas ajuda.  Um corte de estrada, de praça, de ponte, levada a cabo por todos e todas que participaram na Greve Geral e na ocupação, mais os muitos milhares que de certo se juntariam a ele, expulsa a Troika e faz cair este governo? Muito provavelmente sim!

 

Trabalhemos em conjunto para que esta ideia se torne real. Trabalhemos em conjunto para que uma futura acção deste tipo e desta ordem de grandeza seja o mais espontânea possível por ter sido detalhadamente organizada e planeada.

 

A Ponte 25 de Abril não saiu do sítio, mas o governo PSD do primeiro-ministro Cavaco Silva saiu. A Ponte 25 de Abril continua à nossa espera, para que o governo PSD/CDS do primeiro-ministro Passos Coelho e do seu ajudante Portas saiam do sítio. A ponte 25 de Abril tornou-se numa companheira inseparável da história política de Cavaco Silva, quem sabe não volta para o atormentar?

 

 

 

Nota final

 

Aos defensores da moral e bons costumes que dizem que os actos de desobediência civil e até de violência são e serão sempre reprováveis e devem ser severamente punidos, nunca se esqueçam que o povo sempre fez o que achou necessário e possível fazer. Assim será hoje e no futuro.

Não querem um povo que desenvolva acções e lutas insubmissas e violentas? É fácil, não o violentem!

 

 

publicado por swashbuckler às 12:55
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