Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

Radicalismo imperialista de fachada democrática

Texto escrito depois da visualização deste documentário sobre o golpe de Estado de 1964 no Brasil.

 

 

 

Dedicado a todos os entusiastas do "mundo livre" e a todos os anti-comunistas primários.


Dúvidas existissem e este documentário serviria para as apagar. Os EUA, estiveram, estão e estarão, envolvidos em jogos de bastidores para fazer caír governos e alterar regimes para, assim, protegerem os seus interesses.


João Goulart teria o sonho de trasnformar o Brasil numa sociedade mais justa, igualitária e economicamente forte. João Goulart e o seu governo talvez o tivessem conseguido - o povo estava com eles - caso os EUA não tivessem decidido tomar nas suas mãos os destinos do Brasil.


A justificação implantada na sociedade brasileira era simples e directa: a ameaça comunista!


 

Foram cometidos crimes indescritíveis em nome do comunismo? Foram. Foram cometidos crimes indescritíveis em nome do capitalismo? Foram. Têm os presentes e futuros governos comunistas ou capitalistas que pagar pelos erros do passado? Não têm.

O poder corrompe, já todos sabemos, mas o imperialismo e o capitalismo estão desde a sua base corrompidos. A não colocação do ser humano na base da teoria ideológica e das preocupações afasta esse mesmo ser humano de uma vida mais livre e melhor, impedindo que os países e as sociedades se desenvolvam com olhos no progresso igualitário e para todos e todas. Mas o capitalismo, por ter como finalidade única o aumento consecutivo do lucro, potencia e incentiva ainda mais a corrupção, desde a mínima à de Estado.


Em 1964 os EUA tinham, no Brasil, empresas que chegavam a lucrar 200%, 300% e até 1000% ao ano. João Goulart começara a nacionalizar estas empresas. Afirmou em declarações na sede da ONU que o Brasil nada tinha contra o investimento estrangeiro, mas que esse investimento não podia simplesmente entrar no país e obter taxas de lucro como estas e não contribuir minimamente para o desenvolvimento do Brasil. Aqui encontraram os EUA a justificação económica para a inflitração nos centros de decisão, até aí, democrática do Brasil e nos meios da comunicação social.


O resto é História e está promenorizadamente explicado no documentário. E não nos esqueçamos que apesar de o golpe se dar durante a presidência americana de Lyndon Johnson, tudo teve o seu início com Kennedy, tantas vezes elogiado como um dos maiores democratas da História dos EUA e do mundo.


Os EUA, o seu radicalismo imperialista e o capitalismo venceram a Guerra Fria porque perceberam antes de todos que não valia a pena tentar fazer um combate ideológico, teriam muito mais vantagem em vencer com o jogo de bastidores, com o jogo sujo de pôr e depôr governos e pessoas próximas dos seus interesses em países estrategicamente escolhidos por todo o globo. Não deixa de ser irónico que a ditadura militar brasileira se apelidasse de nacionalista e, durante 21 anos, não tenha feito nada mais do que hipotecar o seu país a empresas e ao Estado americano.


Os EUA, o seu radicalismo imperialista e o capitalismo brincavam e continuam a brincar às democracias com os métodos mais ditatoriais que possamos imaginar. O que fizeram quando as prisões políticas, as torturas, as mortes começaram a surgir no Brasil? Apoiaram ainda mais aquele regime ditatorial, tanto na vertente diplomática como na económica.


A utilização da CIA, da NSA, do FBI continua a dar os seus lucros, mas algo está realmente a alterar a ordem natural das coisas como eles as vêm e desejam.


Nos últimos anos temos assistido a revoltas, insurreições e manifestações populares um pouco por todo o mundo. Algumas delas continuam a ter a mão invisível dos norte-americanos, mas a maior parte delas representam a necessidade que os povos sentem de mais respeito pela vida humana, de mais condições de vida em países com recursos naturais astronómicos e que não são postos ao serviço das suas populações.

A maior parte destas movimentações à escala global têm reivindicações marcadamente de esquerda, em muitos casos reivindicações que transcrevem o que muitos comunistas defendem há décadas. Muitas das pessoas que nelas participam afirmam-se apartidárias e sem ideologia, talvez um dia percebam que são comunistas, ou algo ideologicamente muito perto disso, e descubram que ser comunista não faz mal à pele.


Hoje, o Brasil voltou a ter o seu povo na rua, tudo isto durante um governo do Partido dos Trabalhadores, um partido que se auto-denomina de esquerda. Não esquecer que o PT não é o partido maioritário no parlamento brasileiro, muito longe disso. Dilma Roussef disse algo muito similar ao que João Goulart dizia em 64: é preciso aproveitar a força das ruas para implementas as alterações e reformas que são necessárias para um país mais progressista e desenvolvido.

Se esta afirmação de Dilma não for apenas verbo de encher, então o Brasil e o seu governo podem realmente dar um passo em frente e mostrar ao mundo que não há que ter medo das ruas, porque nas ruas estão as pessoas que querem a mudança real, e neste momento as pessoas de todo o mundo querem mais Liberdade, mais Democracia, mais Igualdade, mais Estado Social, melhor distribuição da riqueza, querem ser ouvidas, querem mais esquerda!


João Goulart não era comunista, mas ao longo do seu mandato percebeu as virtudes de várias reivindicações comunistas. A Reforma Agrária que queria implementar no Brasil daria a terra a quem a trabalha e a quem dela vivia, o progresso social que queria implementar no Brasil torná-lo-ia num país onde os trabalhadores e as trabalhadoras teriam sempre uma palavra a dizer.


Na madrugada de 31 de Março para 1 de Abril, João Goulart e o seu governo não tentaram resistir, a inocência e a certeza que tinha de que estava a trabalhar para o seu povo e que isso o salvaria de qualquer golpe de Estado, fizeram com que não se tivesse precavido militarmente. Assim, as forças militares norte-americanas, estacionadas junto à costa do Rio de Janeiro e de São Paulo não tiveram que entrar em terras brasileiras. 


Esperemos que, abrindo os olhos de vez, Dilma e o PT possam - com o apoio do povo, dos sindicatos, de outros movimentos sociais, de mais partidos de esquerda - colocar o Brasil de novo no dia 31 de Março de 1964, data em que talvez estivesse próxima a criação de uma verdadeira sociedade socialista e comunista, mais perfeita que outras. Um país passar, calma e sustentadamente, a um país de organização económica e social comunista e com o apoio massivo do povo? Isso era algo que o imperialismo não aguentaria.


Será que o monstro se está a reerguer? Será que é desta que esta terra "vai cumprir seu ideal"? Ou será que a História se repetirá e o imperialismo continuará a impôr, ditatorialmente, um "mundo livre"?

 


publicado por swashbuckler às 15:12
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1 comentário:
De Jorge Cancela a 24 de Junho de 2013 às 17:32
Muito bem escrita esta análise. Diz o mque todos sabemos. É preciso saber história recente para conhecer as reacções manhosas que podem vir a acontecer. O capitalismo e imperialismo tem uma capacidade de enganar todos com o seu discurso e acções.

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