Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

Dos dois rectângulos

 

 

O jogo de ontem entre Benfica e Porto foi um belo espelho do que se passa na política e na vida deste país a que chamamos Portugal.

 

Depois do jogo, dirigentes, treinadores, jogadores e outros intervenientes do dito, decidiram fugir, mais uma vez, à análise fria do que se passou nas quatros linhas e preferiram, mais uma vez, a demagogia das arbitragens e das picardias psicológicas. Tal como PSD e PS fazem em relação a atribuição de culpas e responsabilidades políticas e defesa de honra por incumprimentos no regimento parlmentar, também no futebol o mais importante é sacudir a água do capote, não apresentar alternativas de melhora e dizer que há um factor externo que pôs uma vitória ou uma decisão política acertada em risco.

 

 

A verdade é que, tirando a insanidade dos primeiros 17 minutos de jogo, a partida foi muito mal jogada de um lado e do outro e muito mal arbitrada para um lado e para o outro. Benfica e Porto conseguiram brilhar devido a erros do adversário, uma defesa do Benfica que se enerva em lances de bola parada assim como se enerva Álvaro Santos Pereira perante a oposição que o intitula de incompetente; dois guarda redes que, tal como Paula Teixeira da Cruz, acham que o tempo dos guarda redes que não sabem jogar com os pés já passou; uma defesa do Porto que se afirma, como Vítor Gaspar, convicta da sua qualidade e que num golo ficou a ver o ping-pong do adversário e no outro lhe oferece um remate sem oposição. Também PSD e PS vão sobrevivendo às custas das menos valias dos adversários.

 

Pinto da Costa, uns dias depois de dizer que só os burros falam de arbitragem, vem fazer o quê? Miguel Relvas depois de criticar Sócrates e a sua licenciatura...bem, está tudo dito...

 

O futebol e a política portuguesa encontram-se numa encruzilhada histórica. Olhe-se para o exemplo de Braga, Boavista e CDS, BE, clubes e partidos que não aguentam a pressão quando têm a possibilidade de ser mais influentes. O CDS e o BE não descerão de divisão como o Boavista, mas certamente, como o Braga, voltarão a ser um clube de meio da tabela com meras aspirações europeias.

 

A salvação do futebol poderia passar pelo surgimento de um 3º grande que apresentasse um futebol de qualidade e uma visão de futuro sustentado e bem planeado, o Braga está a falhar e o Sporting desceu vários degraus este ano. E na política será que o 3º grande poderá ser o PCP? O PCP, tal como o Vitória de Guimarães, é conhecido pela lealdade dos seus apoiantes e há alguns anos que esperam dar o salto para um outro nível. Numa ou noutra época o salto esteve já muito próximo, em 2013, parece mais provável que seja o PCP a consolidar-se como esperança do futuro do país, o Guimarães terá que esperar por melhores dias. Mas isto de comparar o PCP ao Guimarães é complicado, é que o Pimenta Machado já foi presidente do mesmo, assim não dá...enfim, o PCP continuará a ser um partido único, sem paralelo futebolístico.

 

A verdade é que Benfica e Porto, PSD e PS vão levando a água ao seu moinho, degradam a chamada classe média e os pobres que não conseguem acompanhar a classe rica, classe essa que joga cada vez pior, com menos inteligência, e que como se já não bastasse sugar os que os rodeiam, faz cair o Carmo e a Trindade, ou os Clérigos e a Sé, se a ajuda externa não aparece a apitar como eles querem.

 

E depois há o sistema, ou a máfia, há as câmaras municipais, os conselhos de arbitragem, os patrocinadores e os banqueiros, o Tribunal Constitucional, as ligas, as federações, as concelhias, as Juventudes e as claques...ai ai...Resumo final, o jogo foi uma merda, e o país está entregue aos bichos...o futebol e a política estão a precisar de uma vassourada à Queiroz!

 

publicado por swashbuckler às 15:01
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1 comentário:
De blackjack betclic a 14 de Janeiro de 2013 às 21:53
Subscrevo totalmente. No futebol e na política é mesmo assim. Infelizmente.

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